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27, Mar 2025
Quando a comida representa amor, mas o corpo padece

Intolerância à Lactose e ao Glúten: como restrições alimentares afetam o corpo, a mente e as emoções

Em posts anteriores aqui no Cuidados que Brilham, já falamos sobre restrições alimentares, como intolerância à lactose e sensibilidade ao glúten, e como elas vão muito além de um simples “mal-estar passageiro”.
O que muitas pessoas ainda não sabem é que essas intolerâncias podem causar deficiências nutricionais importantes, afetando não apenas o corpo, mas também a saúde mental e emocional.

Hoje, quero falar sobre esse tema a partir de um lugar muito pessoal.


Intolerância à lactose: quando o corpo não absorve cálcio e outros nutrientes

É comum associar a intolerância à lactose apenas a sintomas como gases, inchaço e diarreia. No entanto, o impacto é muito mais profundo.
Quando o organismo não consegue digerir a lactose corretamente, a absorção de nutrientes essenciais como cálcio, magnésio e zinco pode ser prejudicada.

Isso pode levar a consequências como:

  • Osteoporose precoce, devido ao baixo aproveitamento do cálcio
  • Fadiga crônica, associada à deficiência de magnésio
  • Queda da imunidade, já que o zinco é fundamental para o sistema imunológico

Ou seja, não se trata apenas de desconforto digestivo, mas de um risco real à saúde a longo prazo.


Glúten e saúde intestinal: impactos físicos e emocionais da doença celíaca

No caso da sensibilidade ao glúten ou da doença celíaca, os danos podem ser ainda mais amplos. Além dos sintomas gastrointestinais, a inflamação intestinal crônica pode provocar:

  • Confusão mental e lentidão cognitiva (brain fog)
  • Dores articulares, fibromialgia e tensão muscular
  • Problemas de pele, como a dermatite herpetiforme
  • Depressão e ansiedade, diretamente ligadas ao eixo intestino-cérebro
  • Deficiência de vitaminas e minerais (ferro, B12, vitamina D), por má absorção intestinal

O mais difícil é que muitas pessoas como aconteceu comigo passam anos sofrendo sem saber que o glúten é o verdadeiro causador.


Quando o diagnóstico chega, mas a aceitação demora

Por muito tempo, eu ignorei meu diagnóstico.
Continuei comendo meu pão francês com queijo, o pão caseiro que eu mesma fazia, os sabores da infância e da família. Pouco tempo depois, vinham os sintomas:
distensão abdominal intensa, gases, dores pelo corpo e uma ansiedade inexplicável.

Mais tarde, descobri que estudos mostram que pessoas recém-diagnosticadas com doença celíaca podem apresentar níveis elevados de ansiedade, principalmente de dois tipos:

  • Ansiedade-traço: uma tendência constante a perceber o mundo como ameaçador
  • Ansiedade-estado: crises pontuais, com sintomas físicos como taquicardia e tensão

Eu sentia os dois. E, ainda assim, continuava a comer.

Porque o que doía não era só o corpo.
Era a sensação de perder algo que ia muito além da comida.


Comida é afeto, memória e pertencimento

O pão nunca foi só pão.

Era o café da tarde com a família reunida,
cheiro da padaria,
bolinho de chuva do meu pai nos dias frios.

Hoje, morando fora do Brasil há dois anos, esses sabores são ainda mais carregados de memória afetiva. Às vezes, a saudade aperta tanto que tudo o que eu queria era sentar à mesa com meus pais, irmãos e sobrinhos, e comer sem medo.

Lidar com a saudade quando ela envolve família e comida não é simples.
Mas, mesmo sendo difícil, aprendi que é preciso ressignificar as ausências — não ignorar a dor, mas aprender a cuidar dela.


Restrição alimentar não é privação: é autocuidado

Com o tempo, aprendi que:

  • Restrição não é castigo, é cuidado
  • Existem substitutos sem glúten e sem lactose deliciosos e nutritivos
  • O amor não está apenas no alimento, mas no momento compartilhado

Hoje, quando sinto falta, eu:

  • Faço pão sem glúten com farinha de arroz
  • Reúno amigos para um café com bolo de tapioca
  • Crio novas tradições, novas memórias e novas formas de afeto

Porque a vida acontece agora.
E saudade também se cuida.


Você não está sozinho(a)

Se você se identificou com esse texto, saiba que não está sozinho(a).
Muitas vezes resistimos às mudanças porque a comida representa cultura, memória e amor. Mas cuidar da saúde também é um ato profundo de amor, por você e por quem caminha ao seu lado.

💬 Me conta nos comentários:

  • Como foi o seu processo de aceitação da intolerância alimentar?
  • Quais comidas você mais sente falta?
  • Já encontrou algum substituto sem glúten ou sem lactose que aqueceu seu coração (e seu estômago)?

Vamos trocar experiências 💛

Se este post fez sentido para você, compartilhe.
Mais pessoas precisam entender que intolerância alimentar não é frescura — é saúde, consciência e autocuidado.

#IntolerânciaAlimentar #Glúten #Lactose #SaúdeIntestinal #CuidadosQueBrilham #MemóriasAfetivas

 

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